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Comunidade

Alesc aprova projeto que responsabiliza pais por maus-tratos a animais cometidos por menores

Proposta inspirada no caso do cão Orelha prevê multas mais severas e pode levar à perda da guarda do animal

Por: Rodrigo de Oliveira
11/06/2026 14h33 - Atualizado há 3 horas
Alesc aprova projeto que responsabiliza pais por maus-tratos a animais cometidos por menores

Os deputados estaduais de Santa Catarina aprovaram um projeto de lei que responsabiliza diretamente pais, tutores ou responsáveis legais por menores de 18 anos que cometerem maus-tratos contra animais. A proposta, aprovada nesta quarta-feira (10) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), ainda passará pela votação da redação final antes de seguir para a análise do governador Jorginho Mello.

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Batizada de "Lei Orelha", a proposta faz referência ao caso do cão que morreu em janeiro deste ano na Praia Brava, em Florianópolis, após ser encontrado gravemente ferido. O episódio teve grande repercussão estadual e nacional.

O projeto, de autoria do deputado Mário Motta (PSD), altera dispositivos do Código Estadual de Proteção aos Animais e endurece as punições financeiras aplicadas em casos de maus-tratos.

Pelo texto aprovado, as multas poderão ser agravadas conforme a gravidade da infração. Em situações que resultem em lesão grave ao animal, o valor da penalidade será dobrado. Nos casos em que ocorrer a morte do animal, a multa será triplicada. Já a comprovação de crueldade extrema será considerada um fator agravante para aumentar ainda mais a sanção aplicada.

A proposta não estabelece um valor fixo para as multas. O montante será definido pela Justiça de acordo com as circunstâncias de cada caso.

Outro ponto previsto na legislação é a possibilidade de retirada definitiva do animal da família responsável, quando o agressor fizer parte do núcleo familiar que mantém a guarda do pet. Nesses casos, o animal poderá ser encaminhado para adoção.

A criação da lei foi motivada pelo caso do cão Orelha, encontrado agonizando sob um veículo na Praia Brava. O animal apresentava ferimentos na cabeça, lesões em um dos olhos, desidratação e ausência de reflexos. Apesar dos atendimentos veterinários, ele morreu no dia seguinte.

A Polícia Civil chegou a investigar a participação de adolescentes no caso, mas o procedimento foi posteriormente arquivado pelo Ministério Público, que entendeu não haver elementos suficientes para comprovar os atos infracionais.

Mesmo sem responsabilizações no caso específico, a repercussão da morte de Orelha impulsionou a discussão sobre o fortalecimento das leis de proteção animal em Santa Catarina, resultando na criação da proposta agora aprovada pelos parlamentares.

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