O Alho Roxo do Planalto Catarinense passou a integrar oficialmente o seleto grupo de produtos brasileiros com Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem.
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O reconhecimento foi concedido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e confirma que as características do produto estão diretamente ligadas às condições naturais e ao conhecimento acumulado pelos agricultores da região ao longo de décadas.
A certificação reconhece que fatores como clima, altitude, solo e práticas tradicionais de cultivo conferem ao alho produzido na região características exclusivas, entre elas a película roxa dos dentes, aroma marcante, qualidade dos bulbos e atributos bioquímicos diferenciados.
Região reúne quase 500 produtores familiares
O Planalto Catarinense é considerado o berço nacional do alho nobre. A produção começou a ganhar força no fim da década de 1970, quando o agricultor Takashi Chonan desenvolveu a seleção da variedade que originou os cultivares atualmente produzidos na região.
Hoje, a área contemplada pela Indicação Geográfica engloba os municípios de Caçador, Lebon Régis, Frei Rogério, Fraiburgo, Monte Carlo, Brunópolis e Curitibanos.
Ao todo, 482 produtores familiares cultivam cerca de 1.314 hectares da hortaliça, consolidando a região entre as principais produtoras de alho do Brasil.
Santa Catarina chega à 12ª Indicação Geográfica
Com a certificação do Alho Roxo do Planalto Catarinense, Santa Catarina passa a contar com 12 Indicações Geográficas, fortalecendo a valorização de produtos ligados ao território e à agricultura familiar.
Entre os produtos catarinenses que já possuem esse reconhecimento estão a Uva Goethe, a Banana de Corupá, o Queijo Artesanal Serrano, os Vinhos de Altitude, o Mel de Melato da Bracatinga, a Maçã Fuji de São Joaquim, a Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense, a Linguiça Blumenau, a Cachaça e Aguardente de Luiz Alves, a Banana de Luiz Alves e o Frescal de São Joaquim.
Trabalho técnico foi decisivo para a certificação
A conquista é resultado de um trabalho conjunto liderado pela Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), em parceria com a Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), a Secretaria de Estado da Agricultura, o Sebrae, a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e a Copar (Cooperativa Regional Agropecuária do Meio Oeste Catarinense).
Desde 2021, pesquisadores e extensionistas coordenaram estudos, realizaram a caracterização ambiental da área produtora, reuniram informações técnicas e mobilizaram agricultores, cooperativas, universidades e órgãos públicos para comprovar a relação entre o território e a qualidade do alho.
Segundo o pesquisador Hamilton Justino Vieira, do Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia) da Epagri, a certificação demonstra como a pesquisa e a extensão rural contribuem para o desenvolvimento regional.
Além de agregar valor ao produto, a Indicação Geográfica amplia oportunidades de mercado, fortalece a identidade do território, incentiva a preservação das práticas tradicionais de cultivo e contribui para aumentar a renda das famílias agricultoras, estimulando a permanência dos produtores no campo.
Projeto também recebeu reconhecimento ambiental
O trabalho que resultou na certificação do Alho Roxo do Planalto Catarinense também foi destaque no Prêmio Expressão de Ecologia, reconhecimento que evidenciou o potencial da iniciativa para promover desenvolvimento econômico aliado à conservação ambiental e à valorização da produção sustentável.
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