Os brasileiros demonstram cada vez mais interesse por práticas sustentáveis e pela chamada economia circular, mas ainda encontram dificuldades para transformar essa consciência em hábitos de consumo. É o que revela uma pesquisa inédita divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que identificou uma contradição entre o discurso favorável à sustentabilidade e as decisões de compra do consumidor.
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De acordo com o levantamento, 72% dos brasileiros avaliam positivamente empresas que investem em sustentabilidade e economia circular. No entanto, 43% afirmam que resistem à compra de produtos reciclados, independentemente do preço, evidenciando uma barreira ainda significativa para a ampliação desse mercado.
Entre os principais motivos apontados para essa resistência estão a preferência por produtos novos (34%) e as dúvidas sobre a durabilidade e a qualidade dos materiais reciclados (30%). Segundo a CNI, esses dados indicam que a falta de informação e a percepção equivocada sobre os produtos reciclados continuam sendo desafios para a expansão da economia circular no país.
A pesquisa foi realizada pela Nexus, com 2.019 entrevistas presenciais em todas as regiões do Brasil, entre os dias 11 e 13 de fevereiro de 2026. Os resultados foram apresentados durante o evento “Liderança Empresarial pelo Futuro do Clima | COP31”, promovido pela CNI.
Indústria já avança na adoção de práticas circulares
Enquanto o consumidor ainda apresenta resistência, a indústria brasileira vem ampliando a adoção de práticas sustentáveis. Dados da CNI mostram que 62% das empresas já utilizam pelo menos uma prática de economia circular em seus processos produtivos.
Entre as iniciativas mais comuns estão:
- 34% realizam ou garantem a reciclagem de produtos;
- 32% oferecem manutenção ou reparo durante a vida útil dos produtos;
- 30% incorporam materiais reciclados ou recuperados em sua fabricação;
- 58% acreditam que essas práticas contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Economia circular depende de mudança cultural
Para especialistas da CNI, a transição para um modelo mais sustentável depende não apenas das empresas, mas também da confiança e do engajamento dos consumidores. A entidade defende o fortalecimento de políticas públicas, investimentos em inovação e ações de conscientização para ampliar a aceitação dos produtos reciclados e incentivar hábitos de consumo mais responsáveis.
A economia circular busca substituir o modelo tradicional de produção e descarte por um sistema baseado na redução de resíduos, reutilização de materiais, reciclagem e prolongamento da vida útil dos produtos, promovendo ganhos econômicos e ambientais.
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