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Como mensagens saíam dos presídios e abasteciam facção criminosa investigada em SC

Operação "Bow Tie" teve mandados cumpridos em Chapecó e Xanxerê

Por: Daiane
16/06/2026 10h22 - Atualizado há 3 horas
Equipes participaram da segunda fase da Operação
Equipes participaram da segunda fase da Operação "Bow Tie" (Foto: GAECO)

Uma operação de combate ao crime organizado realizada na manhã desta terça-feira (16) cumpriu mandados de busca e apreensão em Chapecó e Xanxerê. 

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A ação faz parte da segunda fase da Operação “Bow Tie”, que investiga suspeitos de ligação com uma organização criminosa com atuação dentro e fora do sistema prisional.

Investigação mira atuação de facção criminosa

A operação é conduzida pela 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, com apoio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) e do GEFAC (Grupo Estadual de Enfrentamento a Facções Criminosas).

Ao todo, estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas. Os alvos são investigados por suposta participação em uma organização criminosa com atuação em Chapecó e em outros municípios catarinenses.

As diligências contam ainda com o apoio do NOT (Núcleo de Operações Táticas) da Polícia Penal, especialmente no cumprimento de medidas judiciais relacionadas a investigados que se encontram no sistema penitenciário.

Vazamento de informações está entre os focos

A segunda fase da Operação Bow Tie é um desdobramento das investigações iniciadas durante a quinta fase da Operação Sodalitas Finis, Casa de Pedra.

O objetivo é apurar o possível vazamento de informações sigilosas relacionadas ao cumprimento de ordens judiciais. Conforme os investigadores, esse compartilhamento irregular de dados poderia beneficiar integrantes da facção e comprometer ações de combate ao crime organizado.

Todo o material recolhido durante as buscas será encaminhado à Polícia Científica para realização de perícias. Após a emissão dos laudos, as evidências serão analisadas pelo GAECO para dar sequência às investigações. O procedimento segue sob sigilo judicial.

O significado da Operação Bow Tie

O nome da operação faz referência ao chamado “nó Bow Tie”, um tipo de nó de gravata. Segundo o Ministério Público, a escolha está relacionada ao uso do termo “gravata” no ambiente carcerário para se referir a advogados.

As investigações apontam que alguns suspeitos estariam envolvidos em crimes como tráfico de drogas e também na manutenção da chamada “sintonia” da facção criminosa, mecanismo utilizado para transmitir informações entre presos e pessoas em liberdade.

De acordo com os investigadores, essa rede de comunicação é considerada estratégica para o funcionamento e expansão das organizações criminosas, permitindo a troca de ordens, orientações e informações entre integrantes do grupo.

Operação integra mobilização nacional

A ação em Santa Catarina faz parte da Operação Convergência Nacional, coordenada pelo GNCOC (Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas), ligado ao Ministério Público brasileiro.

A iniciativa reúne Ministérios Públicos e forças de segurança de diferentes estados em uma atuação conjunta voltada ao enfrentamento de facções criminosas com atuação interestadual.

O trabalho é baseado no compartilhamento de informações de inteligência, análise de dados e integração entre instituições, buscando ampliar a eficiência das investigações e operações em todo o país.

Estrutura especializada no combate ao crime organizado

Para acompanhar a atuação da Vara Estadual de Organizações Criminosas, o Ministério Público de Santa Catarina ampliou a estrutura da 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital.

A unidade passou a atuar em todo o território catarinense na investigação e processamento de crimes ligados a organizações criminosas. Atualmente, conta com cinco promotores de Justiça de entrância especial, além de estrutura própria voltada à segurança, inteligência e apoio operacional.

O GAECO é uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina e integrada por representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar.

Já o GEFAC reúne membros especializados do Ministério Público com atuação focada no enfrentamento às facções criminosas e aos crimes praticados por esses grupos em território catarinense.

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