A duplicação da BR-282 voltou ao centro das discussões em Santa Catarina. Embora o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) tenha confirmado que os projetos de engenharia seguem em andamento, o setor produtivo do Oeste defende que as obras dos trechos mais críticos saiam do papel antes da implantação do pedágio eletrônico previsto no modelo de concessão.
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Em entrevista ao Canal Ideal, o presidente do CEC (Centro Empresarial de Chapecó), Helon Antônio Rebelatto, afirmou que a região não é contrária à concessão, mas cobra mudanças no projeto.
A duplicação entre São Miguel do Oeste e Lages deve ser concluída até o fim deste ano, mas a proposta de concessão apresentada pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) segue gerando preocupação entre lideranças do Oeste catarinense.
Entidades da região defendem alterações no projeto, como a extensão da duplicação até Irani, revisão dos trechos contemplados e garantia de obras antes do início da cobrança de pedágio.
Projeto de duplicação está na reta final
Conforme o presidente do CEC, o trecho entre São Miguel do Oeste e Lages foi dividido em quatro lotes: São Miguel do Oeste a Chapecó, Chapecó ao trevo de Irani, trevo de Irani a Campos Novos e Campos Novos a Lages.
A expectativa é que os estudos sejam concluídos ainda em 2026, permitindo o avanço das próximas etapas para a futura duplicação da rodovia.
Concessão da ANTT gera críticas
Segundo o o presidente, a principal crítica das entidades do Oeste é que o lote prevê a duplicação apenas entre Chapecó e Xanxerê. Para as lideranças, o investimento deveria se estender até o trevo de Irani, considerado um trecho com fluxo suficiente para justificar a ampliação.
Outro ponto questionado por Helon, é a inclusão do acesso urbano de Chapecó na concessão. Segundo as entidades, trata-se de uma obra já concluída, que contou inclusive com investimentos do município, e que não deveria integrar o futuro sistema de pedágio.
Também há pedidos para ampliar o número de terceiras faixas na BR-153 e realizar intervenções no trecho urbano de Concórdia, onde o trânsito intenso provoca congestionamentos frequentes.
Agora, o grupo aguarda a análise das contribuições apresentadas e a manifestação oficial da agência sobre possíveis mudanças no modelo de concessão.
Free Flow
Entre os pontos considerados positivos está o sistema Free Flow, modalidade de pedágio sem praças físicas.
Nesse modelo, a cobrança ocorre por meio de pórticos eletrônicos instalados ao longo da rodovia, permitindo que o motorista pague apenas pelos quilômetros efetivamente percorridos.
Além de eliminar as filas nas praças de pedágio, o sistema poderá oferecer descontos para usuários cadastrados.
Cobrança antes das obras preocupa
Outra preocupação levantada pelas entidades é a possibilidade de a cobrança de pedágio começar antes da execução das principais melhorias previstas na concessão.
Para as lideranças regionais, o ideal é que o Governo Federal participe financeiramente da duplicação da BR-282, reduzindo o custo das obras para a concessionária e, consequentemente, evitando tarifas elevadas aos usuários.
Segundo estimativas apresentadas pelas entidades, a duplicação entre Chapecó e Irani exigiria cerca de R$ 500 milhões em investimentos.
Conservação da rodovia também preocupa
Além da discussão sobre a concessão, as lideranças cobram mais recursos para manutenção da BR-282.
O trecho entre Maravilha e São Miguel do Oeste é apontado como um dos mais críticos da região, com necessidade de obras de recuperação.
Segundo as entidades, houve redução dos recursos destinados pelo DNIT para a conservação das rodovias federais em Santa Catarina, reforçando a necessidade de novos investimentos para garantir melhores condições de trafegabilidade e segurança aos motoristas.
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