A morte de um menino de 3 anos, vítima de espancamento no Rio Grande do Sul, trouxe à tona um histórico de acompanhamento da família pelos órgãos de proteção em Santa Catarina. Antes de se mudar para o estado gaúcho, a criança e seus irmãos permaneceram por cerca de três meses em um abrigo no município de Palmitos, no Oeste catarinense, após denúncias de possíveis maus-tratos.
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De acordo com informações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o acolhimento institucional ocorreu em março de 2025, depois que vizinhos denunciaram supostas agressões praticadas pelos pais contra um dos filhos. Na época, equipes do Conselho Tutelar, Polícia Militar e Ministério Público estiveram na residência da família para averiguar a situação.
Durante a fiscalização, não foram encontradas lesões aparentes nas crianças, nem sinais que comprovassem as denúncias recebidas. Os órgãos também constataram que os filhos estavam bem alimentados, vestidos adequadamente e vivendo em uma residência considerada organizada e com boas condições de higiene.
Mesmo sem a confirmação de agressões naquele momento, o histórico de violência envolvendo a família em São Paulo levou a Justiça a determinar, de forma preventiva, o acolhimento institucional das cinco crianças. Entre os registros anteriores havia relatos de que uma das crianças teria sido agredida com uma cinta.
Durante os três meses de acolhimento, os pais passaram por avaliações psicológicas e sociais, enquanto a família recebeu acompanhamento da rede de proteção. Os laudos técnicos apontaram que não havia elementos suficientes para caracterizar maus-tratos, além de indicar que as crianças demonstravam forte vínculo afetivo com os pais e desejavam retornar para casa.
Com base nesses pareceres, a Justiça autorizou, em junho de 2025, o retorno das crianças ao convívio familiar. Mesmo após a reintegração, a família continuou sendo acompanhada pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e demais órgãos de proteção, sem registro de novas denúncias em Santa Catarina.
Poucos meses depois, em agosto de 2025, a família deixou Santa Catarina e se estabeleceu em Viamão, no Rio Grande do Sul. Antes da mudança, o Ministério Público catarinense solicitou que o processo de acompanhamento fosse encaminhado à Vara da Infância e da Juventude do município gaúcho, para que as medidas protetivas tivessem continuidade. O pedido foi aceito pela Justiça.
Pai confessou as agressões
A criança morreu na última quarta-feira (8), após permanecer três dias internada em um hospital de Porto Alegre. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, o pai, Dandre Jermaine Grayson, natural dos Estados Unidos e que se apresentava como missionário, confessou ter agredido o filho e foi preso em flagrante. Ele responde por homicídio duplamente qualificado.
A mãe, Mayanna Angelina Rodgers, de nacionalidade japonesa, também foi presa preventivamente. Conforme a investigação, ela é suspeita de ter sido conivente com as agressões, embora também existam indícios de que fosse vítima de violência doméstica praticada pelo companheiro.
Lesões graves e investigação
De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pelo caso, a criança apresentava múltiplas e gravíssimas lesões, compatíveis com repetidas agressões. A investigação aponta que os ferimentos foram tão severos que provocaram deslocamento do coração e esmagamento do crânio.
Em depoimento, a mãe afirmou que acreditava que a forma como o marido disciplinava os filhos fazia parte da cultura e da religião da família. No entanto, para a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento indicam que ela tinha conhecimento das agressões e não impediu a violência, motivo pelo qual também responde criminalmente.
Os outros irmãos da vítima foram afastados da família e colocados sob medidas de proteção, sendo acompanhados pelo Conselho Tutelar e pelos serviços de assistência social do Rio Grande do Sul. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
Com informações de NSC Total
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