‘Meu bem mais precioso’: marido que chorou morte da esposa em SC é preso por suspeita de matar e forjar acidente
Polícia Civil afirma que jovem foi assassinada dentro de casa, entre São Carlos e Palmitos, no Oeste
Por: Daiane
31/07/2026 13h44 - Atualizado há 51 minutos
(Foto: Divulgação)
O que parecia ser um acidente fatal na SC-283 ganhou uma reviravolta. A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira (31) o marido, de 30 anos, e o sogro, de 53, de Débora Ester de Bizi Dambros, de 24 anos.
Segundo a investigação, a jovem foi vítima de feminicídio dentro da própria casa e o corpo foi levado até uma ponte para que o crime fosse encoberto como um acidente de trânsito.
Investigação desmontou versão apresentada pela família
Débora foi encontrada morta no dia 21 de julho, às margens do Rio Barra Grande, após o veículo em que estava cair da ponte da SC-283, entre São Carlos e Palmitos, no Oeste catarinense.
Inicialmente, a ocorrência foi tratada como um acidente de trânsito. No entanto, conforme a Polícia Civil, os laudos periciais começaram a revelar inconsistências que mudaram completamente o rumo das investigações.
De acordo com o delegado Claudio Vieira, responsável pelo caso, o horário da morte não era compatível com o momento em que o veículo caiu da ponte.
Além disso, as lesões apresentadas pela vítima não correspondiam às características de um acidente automobilístico.
A partir dessas evidências, os investigadores concluíram que Débora havia sido assassinada horas antes.
Crime teria ocorrido dentro da casa
Segundo a Polícia Civil, o feminicídio aconteceu na noite de 20 de julho, por volta das 18h, na casa onde o casal morava.
Após o assassinato, o marido teria contado com a ajuda do próprio pai para ocultar o crime.
Os dois transportaram o corpo da vítima por cerca de 70 km até a ponte sobre o Rio Barra Grande, na SC-283.
Ainda conforme a investigação, eles aproveitaram que a proteção lateral da ponte já estava danificada por um acidente anterior para lançar o veículo no rio e criar a falsa impressão de uma saída de pista.
O pai do suspeito teria seguido o carro do filho durante todo o trajeto, garantindo apoio para que ele deixasse o local após a encenação.
Como a região é pouco movimentada, o automóvel só foi localizado por moradores na tarde do dia seguinte.
Marido registrou desaparecimento e fez homenagem nas redes sociais
Antes mesmo de o corpo ser encontrado, o marido procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência informando o desaparecimento da esposa.
Segundo os investigadores, ele afirmou falsamente que Débora teria deixado a casa por causa de um suposto relacionamento extraconjugal.
Depois da confirmação da morte, também publicou uma mensagem de despedida nas redes sociais.
Na postagem, escreveu:
"Deus, por que levar meu bem mais precioso? Que eu cuidei, dediquei meu amor. Sei que foram momentos difíceis e também fáceis, mas sempre ao seu lado. Logo, logo nos encontramos na próxima vida."
Para a Polícia Civil, essas atitudes fizeram parte da tentativa de afastar suspeitas e reforçar a versão de que a morte teria sido acidental.
Prisões foram autorizadas pela Justiça
Com o avanço das investigações e a reunião das provas técnicas, a Justiça expediu mandados de prisão preventiva contra o marido e o sogro da vítima.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (31).
Os dois são investigados pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual.
Jovem deixa dois filhos
Débora Ester de Bizi Dambros tinha 24 anos e deixa dois filhos menores de idade.
O velório ocorreu em Ipuaçu. Na ocasião, familiares e amigos acreditavam que a jovem havia morrido em um acidente na rodovia.
Com a conclusão da investigação, o caso passou a ser tratado como um feminicídio com tentativa de simulação de acidente para ocultar o crime.
Relembre o caso
Na tarde de 21 de julho, equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atender uma ocorrência de queda de veículo no Rio Barra Grande, na SC-283.
No local, os socorristas encontraram um Fiat/Doblò parcialmente submerso e localizaram o corpo de Débora às margens do rio, já sem sinais vitais e com politraumatismos.
As equipes realizaram buscas para verificar a existência de outras vítimas, mas ninguém mais foi encontrado.
Naquele momento, a ocorrência era tratada como um acidente de trânsito. Dias depois, o trabalho pericial e a investigação da Polícia Civil mudaram completamente a história e apontaram que o suposto acidente teria sido uma farsa para esconder o assassinato da jovem.
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