Produtores de leite de diversas regiões do Paraná e do Brasil oficializaram, no fim da tarde desta terça-feira (10), a criação da União Nacional dos Produtores de Leite, durante o 38º Show Rural Coopavel, em Cascavel. A nova entidade nasce com o objetivo de representar e defender os interesses do setor diante de uma crise que já se arrasta há três anos.
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O encontro contou com a presença do presidente da Frente Parlamentar da Agricultura no Congresso Nacional, Pedro Lupion, além de lideranças e representantes de entidades ligadas ao agronegócio.
Produtores de Xanxerê e da região Oeste de Santa Catarina também estão aderindo ao movimento, que já se espalha pelo país.
Instituto Nacional do Leite é a principal meta
O manifesto do grupo tem como principal proposta a criação de um Instituto Nacional do Leite, iniciativa que pretende fortalecer a representatividade do setor e ampliar a articulação em nível federal.
Atualmente, o movimento já está presente em 23 estados brasileiros, demonstrando a dimensão da mobilização. “Estamos pagando para trabalhar”, diz liderança
Segundo Meysson Vetorello, líder do movimento, a situação exige ação imediata para evitar o colapso da atividade em 2026.
“Precisamos agir rápido, porque o quadro que se apresenta para 2026 é o mesmo que afetou todo o ano passado”, afirmou.
Ele destacou que a entidade busca promover debates e soluções organizadas para enfrentar os desafios do setor.
“Esse é o primeiro passo para a constituição de uma entidade nacional, com força para defender os avanços que o segmento realmente precisa”, completou.
Custos altos e remuneração insuficiente
Entre os principais problemas apontados pelos produtores estão: custos de produção elevados, preço pago ao produtor abaixo do necessário, aumento das importações, falta de fiscalização e regulação do mercado.
Meysson exemplificou a dificuldade enfrentada no dia a dia. “Recebemos R$ 2 e gastamos R$ 2,40 para produzir um litro.”
Os participantes também denunciaram discrepâncias na cadeia produtiva, onde alguns setores obtêm margens elevadas enquanto o produtor rural vive sob incertezas.
Importações agravam cenário no Brasil
Entidades de outros estados também vêm alertando para o impacto das importações, especialmente de leite em pó vindo da Argentina e do Uruguai.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS) afirmou que há uma desregulação do mercado, causando prejuízos severos no campo.
Produtores alertam para abandono definitivo da atividade
Os pecuaristas ressaltaram que a bovinocultura leiteira exige anos de estruturação e investimento. Por isso, quem deixa a atividade dificilmente consegue retornar.
O temor é de que, sem medidas urgentes, milhares de produtores sejam forçados a abandonar definitivamente a produção.
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