O professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) do campus de Curitibanos, que foi afastado preventivamente por 60 dias em meio à investigação de denúncias de supostos casos de assédio sexual e moral envolvendo estudantes, apareceu para trabalhar na manhã desta terça-feira (1º).
Conforme apurado pelo Canal Ideal, a universidade informou que ele ainda não havia sido formalmente comunicado sobre o afastamento naquele momento.
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Afastamento por 60 dias
A medida foi determinada pela Portaria nº 238/2026/DPD/UFSC, determina o afastamento do servidor pelo prazo de 60 dias, sem prejuízo da remuneração.
A portaria também proíbe o professor de acessar as dependências da universidade, os sistemas de informação institucionais e de manter a posse de equipamentos e documentos da instituição durante o período do afastamento, salvo autorização prévia da Administração.
De acordo com a UFSC, a medida foi tomada para preservar a investigação e evitar possíveis interferências na produção de provas e na atuação de vítimas, testemunhas e demais pessoas envolvidas no processo.
Professor foi comunicado pela manhã
Em nota, a Direção-Geral do Departamento de Processos Disciplinares da UFSC esclareceu que o afastamento preventivo é uma medida cautelar e não representa uma punição ou antecipação de culpa.
A universidade informou que o docente foi formalmente comunicado sobre a decisão no final da manhã desta terça-feira, por meio do envio da portaria por e-mail.
Com isso, a instituição afirma que as atividades realizadas pelo professor durante a manhã, antes da comunicação oficial, não configuram descumprimento da medida.
A partir da ciência formal, no entanto, as atividades funcionais e acadêmicas do docente na universidade ficam suspensas durante o período determinado no afastamento.
Investigação corre sob sigilo
O afastamento está relacionado a um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) que apura fatos envolvendo o professor. Segundo a universidade, o processo corre sob sigilo para preservar a intimidade dos envolvidos e garantir o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
A UFSC também afirmou que a medida busca evitar a continuidade de situações potencialmente prejudiciais e reduzir o risco de revitimização das estudantes enquanto os fatos são apurados.
Denúncias são investigadas
O caso ganhou repercussão após relatos de estudantes e ex-estudantes sobre supostos episódios de assédio moral e sexual envolvendo um professor da área de agronomia e medicina veterinária no campus de Curitibanos, no Meio-Oeste catarinense.
Os relatos mencionados em apurações anteriores apontam para situações que teriam ocorrido ao longo dos anos, com registros que remontam a 2016. Estudantes teriam procurado canais institucionais para relatar os episódios e algumas também afirmaram ter adotado estratégias para evitar situações de constrangimento durante aulas e atividades acadêmicas.
Uma ex-aluna relatou ter vivido momentos de medo e desconforto durante a graduação. Segundo ela, estudantes eram alertadas informalmente sobre o comportamento atribuído ao professor e algumas buscavam permanecer próximas de colegas para se sentir mais seguras.
A estudante também afirmou ter sido alvo de aproximações físicas e toques sem consentimento durante aulas, além de comentários que considerava inadequados.
As denúncias, contudo, ainda estão sob apuração. O afastamento preventivo determinado pela UFSC não representa uma conclusão sobre a responsabilidade do professor pelos fatos investigados.
A universidade reforçou que mantém o compromisso com a legalidade e com a proteção de todos os envolvidos enquanto o processo disciplinar segue em andamento.
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