Eles são treinados para encontrar drogas, mas a recompensa que procuram não tem nada a ver com entorpecentes: é o brinquedo favorito.
Em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, cães do Núcleo de Operações com Cães da Polícia Civil são preparados para identificar odores e auxiliar os policiais em buscas e apreensões.
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O segredo está na brincadeira
O treinamento começa ainda quando os cães são filhotes. Eles são expostos gradualmente a diferentes ambientes, sons, pessoas, animais e situações que poderão encontrar durante o trabalho policial.
A base de todo o processo é a brincadeira. O cão cria um vínculo forte com um brinquedo específico, que passa a ser utilizado como recompensa.
E há um detalhe importante: o cão não tem contato direto com a droga durante o treinamento.
Segundo o agente de polícia Renato Bandeira, que atua há cerca de sete anos no canil de Chapecó, o animal trabalha motivado pelo chamado ‘drive de caça’, ou seja, pelo interesse intenso em buscar o brinquedo.
“Para ele não passa de uma brincadeira”, explicou o policial.
Treinamento
Nas primeiras etapas, os policiais utilizam caixas para apresentar os odores aos cães. O brinquedo é escondido e o animal precisa utilizar o faro para encontrá-lo.
Com o avanço do treinamento, o cão passa a trabalhar em diferentes ambientes, como veículos, residências e áreas de mata.
Essa etapa é importante para que ele consiga reconhecer o mesmo odor em situações diferentes e não apenas no ambiente em que foi treinado inicialmente.
A formação completa de um cão policial pode levar cerca de dois anos, desde as primeiras etapas até que o animal esteja preparado para atuar em operações.
Cada policial tem seu cão
Cada policial do canil costuma ser responsável por um cão específico. Embora outros agentes possam participar dos exercícios, o treinamento e os cuidados diários ficam principalmente sob responsabilidade do condutor.
O policial Bandeira trabalha atualmente com Stiler, um cão de dois anos que chegou a Chapecó há cerca de seis meses. Depois da chegada ao núcleo, Stiler passou por etapas de ambientação e treinamento até começar a atuar nas operações.
A agente de polícia Franciele Felicete também atua com um cão de trabalho. Ela começou na cinotecnia em 2020 e atualmente conduz Hórus, um pastor alemão.
Hórus chegou com alguns comandos básicos de obediência, mas a introdução aos odores e parte da formação foram realizadas pela própria equipe de Chapecó.
Segundo Franciele, os policiais que atuam na área possuem formação em cinotecnia e aprendem técnicas de escolha, formação, treinamento e condução dos cães.
Brincadeira
Mais do que encontrar drogas, os cães precisam aprender a transformar o trabalho em uma espécie de brincadeira. Para eles, o objetivo final continua sendo o mesmo: encontrar o odor e ganhar a tão esperada bolinha.
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