Nara Maria Valiati tinha apenas 15 anos quando começou a trabalhar. Décadas depois, a trajetória profissional que passou por hospital, pesquisa, Fórum de Chapecó, educação e atendimento socioeducativo a levou para um lugar onde, segundo ela, encontrou seu propósito: a APAE de Chapecó.
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Uma trajetória construída cedo
O primeiro emprego foi em um hospital de Chapecó, onde Nara passou por diferentes setores. Depois, trabalhou na Epagri, experiência que, segundo ela, contribuiu para a formação profissional e para o aprendizado sobre pesquisa, processos e organização.
Também passou pelo Fórum de Chapecó, após ser aprovada em concurso público, e atuou na primeira Vara Criminal. A experiência, ainda jovem, ampliou a percepção dela sobre diferentes realidades humanas.
Nara também se formou em Pedagogia e Administração Escolar e fez uma pós-graduação em Psicopedagogia. Foi durante essa especialização que surgiu o convite que mudaria os rumos da carreira.
Da sala de aula à direção
Em 1997, Nara começou a trabalhar na APAE como professora, inicialmente em uma carga de 20 horas. Paralelamente, atuou em outras funções, incluindo um trabalho com adolescentes em conflito com a lei e a coordenação do CER (Centro Especializado em Reabilitação) de Chapecó.
Depois, passou a se dedicar integralmente à APAE.
Ao longo dos anos, trabalhou em diferentes níveis e setores da instituição, acumulando experiência nas áreas pedagógica, de projetos, captação de recursos, recursos humanos e financeiro.
Em 2011, veio o convite para assumir a direção.
Uma instituição que também mudou
Quando chegou à APAE, Nara encontrou uma estrutura diferente da atual. Segundo ela, os recursos eram mais limitados e processos que hoje são realizados digitalmente dependiam de ferramentas como máquina de escrever, cheques e documentos físicos.
Segundo Nara, a APAE, que inicialmente tinha como foco principal oferecer cuidado, alimentação e acolhimento, passou a trabalhar cada vez mais com o desenvolvimento das potencialidades de cada pessoa atendida.
Hoje, a instituição conta com cerca de 400 matriculados e reúne atendimentos em diferentes áreas, incluindo educação, clínica e assistência social.
Para Nara, acompanhar essa transformação ao longo de quase três décadas é uma das partes mais marcantes da trajetória.
“Acalmou a minha alma”
A relação com a APAE também mudou a forma como Nara enxergava a própria carreira.
Ela conta que, antes de chegar à instituição, mantinha uma busca constante por novas oportunidades profissionais. Na APAE, porém, encontrou algo que a fez permanecer.
“Foi acalmando a minha alma, acalmando o meu coração, e eu fui ficando.”
A permanência, segundo ela, não ocorreu por falta de alternativas, mas pela identificação com o trabalho desenvolvido e com as pessoas que fazem parte da instituição.
Ao longo dos anos, Nara passou por diferentes setores e afirma que cada um deixou uma marca em sua trajetória.
O próximo passo
Hoje, já pensando na aposentadoria, Nara também começa a olhar para a continuidade do trabalho.
A preocupação, segundo ela, é preparar novas pessoas para assumir responsabilidades e garantir que a instituição continue avançando.
Mais do que deixar uma estrutura pronta, a diretora afirma que pretende deixar um legado baseado na dedicação ao trabalho.
A ideia, segundo Nara, não é fazer com que a APAE permaneça igual ao que é hoje, mas que continue encontrando maneiras de melhorar.
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