Como a Defesa Civil consegue prever a chegada de temporais, vendavais e granizo antes que eles atinjam as cidades? Para responder à pergunta, o Canal Ideal conversou com os coordenadores regionais da Defesa Civil Vilson Antonio Zamboni, de Chapecó, e Luciano Peri, de Xanxerê, que explicaram como funciona o monitoramento realizado 24 horas por dia e de que forma radares, satélites e alertas enviados aos celulares ajudam a reduzir riscos e salvar vidas.
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Monitoramento
Segundo Vilson Antonio Zamboni, o trabalho da Defesa Civil não começa quando a chuva já está sobre as cidades. O acompanhamento das condições meteorológicas é contínuo e permite identificar sistemas que podem atingir Santa Catarina com vários dias de antecedência.
Conforme o coordenador, a equipe de meteorologistas monitora o tempo 24 horas por dia. Inicialmente são elaboradas previsões trimestrais e quinzenais. Quando um evento ganha força, passam a ser emitidos boletins de risco com até cinco dias de antecedência.
À medida que aumenta a possibilidade de ocorrência, a Defesa Civil divulga avisos com três, dois e um dia antes. Já nas horas que antecedem um evento severo, entram em ação os alertas de curto prazo, emitidos com até seis, três e uma hora de antecedência.
Radar de Chapecó monitora até Argentina e Rio Grande do Sul
Santa Catarina possui quatro radares meteorológicos instalados estrategicamente pelo Estado. Três deles já garantem a cobertura completa do território catarinense.
Um dos equipamentos está instalado em Chapecó e consegue monitorar um raio de aproximadamente 200 km com alta precisão, podendo alcançar até 400 km no modo vigilância.
Além do Oeste e Meio-Oeste catarinense, o radar acompanha a aproximação de sistemas vindos do Paraná, Rio Grande do Sul e até da Argentina.
As informações captadas são enviadas automaticamente para a Central de Monitoramento da Defesa Civil, em Florianópolis, onde meteorologistas analisam a evolução das tempestades antes de repassar os alertas às coordenadorias regionais e aos municípios.
Como o radar "enxerga" a chuva
Vilson explicou que o radar funciona por meio da emissão contínua de pulsos de micro-ondas.
Enquanto a antena gira e altera seu ângulo de inclinação, as ondas atingem as nuvens e retornam ao equipamento. Quanto maior a quantidade de água ou gelo presente na formação, maior será a energia captada pelo radar.
Essas informações permitem acompanhar a intensidade das chuvas, identificar temporais em formação e monitorar a evolução das tempestades praticamente em tempo real.
O coordenador destacou ainda que radares e satélites trabalham de forma complementar. Enquanto o satélite oferece uma visão ampla da atmosfera, o radar fornece informações muito mais detalhadas da região onde o fenômeno está acontecendo.
O alerta chega até quem nunca fez cadastro
Quando um evento apresenta maior potencial de risco, entra em funcionamento o sistema Cell Broadcast.
Diferentemente dos alertas enviados por SMS, WhatsApp ou Telegram, essa tecnologia não depende de cadastro prévio.
Basta que a pessoa esteja com o celular conectado a uma antena localizada na área de risco para receber automaticamente uma mensagem que bloqueia a tela do aparelho com informações sobre o evento e as orientações de segurança.
Segundo Vilson, esse é o último recurso utilizado pela Defesa Civil para garantir que a população seja avisada mesmo quando outros canais de comunicação não conseguem alcançá-la.
Saber como agir também salva vidas
Para o coordenador regional da Defesa Civil em Xanxerê, Luciano Peri, tão importante quanto receber o alerta é saber como agir após a notificação.
Segundo ele, a Defesa Civil investe em campanhas educativas e em uma cartilha que orienta a população sobre procedimentos simples capazes de evitar acidentes durante desastres naturais.
Entre as recomendações estão não atravessar ruas alagadas, seja a pé ou de carro, deixar imediatamente áreas com sinais de deslizamento, como rachaduras no solo, árvores ou postes inclinados, e conhecer os telefones dos serviços de emergência.
Plano familiar pode fazer a diferença
Outro ponto destacado por Luciano Peri é a importância do chamado Plano Familiar de Emergência.
A proposta é que cada família defina previamente rotas de fuga, pontos de encontro e saiba exatamente como agir caso um desastre aconteça.
"O objetivo é que as pessoas estejam preparadas antes da emergência acontecer. São atitudes simples, mas que podem salvar vidas", reforçou o coordenador.
Estado convive com eventos extremos
A preocupação da Defesa Civil se justifica pelos números. Santa Catarina está entre os estados brasileiros mais atingidos por desastres naturais nas últimas décadas e figura entre as regiões do planeta com maior incidência de tornados.
Por isso, o investimento em monitoramento meteorológico, emissão de alertas e preparação da população é considerado uma das principais estratégias para reduzir danos e preservar vidas.
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