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Justiça

Casal de empresários é condenado por matar funcionária após cobrança de direitos trabalhistas em SC

Empresário foi condenado a mais de 18 anos de prisão e esposa recebeu pena de 14 anos por participação no homicídio

Por: Alessandra de Oliveira
21/07/2026 16h23 - Atualizado há 2 horas
Casal de empresários é condenado por matar funcionária após cobrança de direitos trabalhistas em SC

Um casal de empresários, proprietários de uma pousada em Palmitos, no Oeste de Santa Catarina, foi condenado pelo homicídio de uma funcionária, crime motivado por uma reivindicação de direitos trabalhistas. A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri, após denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

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Além do homicídio, o empresário também foi condenado pela tentativa de homicídio do marido da vítima, que também era funcionário da pousada, e por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.

Conforme a denúncia do MPSC, os fatos ocorreram em 29 de setembro de 2025. O casal de funcionários trabalhava e morava na pousada administrada pelos empresários e havia solicitado a regularização da jornada de trabalho e o pagamento de direitos trabalhistas que alegavam não ter recebido.

Segundo as investigações, após cerca de dois meses de trabalho, os funcionários foram demitidos sem registro em carteira e sem o pagamento das verbas rescisórias. Mesmo desligados, permaneceram morando no local enquanto buscavam resolver a situação. As desavenças aumentaram nas semanas seguintes, inclusive com registros policiais feitos por ambas as partes no dia do crime.

De acordo com a ação penal, na tarde de 29 de setembro, os empresários retornaram ao estabelecimento e iniciaram uma discussão com o casal. O empresário tentou matar o marido da funcionária ao apontar uma arma e acionar o gatilho diversas vezes, mas os disparos não ocorreram porque a arma falhou.

Na sequência, a funcionária foi imobilizada pela empresária, momento em que o empresário efetuou um disparo que atingiu a vítima, causando sua morte. Após o crime, o marido da vítima conseguiu desarmar o agressor durante uma luta corporal.

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que o homicídio foi praticado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foi reconhecida a tentativa de homicídio qualificada contra o sobrevivente.

O empresário foi condenado a 18 anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificada e porte ilegal de arma de fogo. A empresária foi condenada a 14 anos de reclusão, também em regime inicial fechado, por participação no homicídio qualificado.

A pedido do Ministério Público, a sentença ainda fixou indenização por danos morais de R$ 100 mil ao marido da vítima e R$ 250 mil aos herdeiros da funcionária assassinada.

Os dois réus, que permaneceram presos preventivamente durante toda a tramitação do processo, tiveram negado o direito de recorrer em liberdade.

Para a promotora de Justiça Patrícia Castellem Strebe, a decisão do Tribunal do Júri reforça o papel da sociedade na responsabilização de crimes contra a vida. Segundo ela, o veredicto reafirma o compromisso da Justiça e da sociedade com a defesa da vida e a punição de atos de extrema violência.

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