Companheiro que matou e escondeu corpo de advogada em mata no PR é condenado em SC
Karize Ana Fagundes Lemos foi morta por enforcamento na cidade de Caçador em setembro de 2024
Por: Daiane
11/09/2026 08h17 - Atualizado há 2 horas
(Foto: TJSC)
A advogada Karize Ana Fagundes Lemos, de 33 anos, foi morta dentro da própria casa em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina, enquanto ainda se recuperava de uma cirurgia nos rins.
Segundo a acusação, ela foi enforcada pelo companheiro, que teria agido motivado por ciúmes, escondido o corpo e seguido em direção ao Paraná, com a intenção de fugir para o Paraguai. Os restos mortais foram encontrados cerca de 40 dias depois, em uma área de mata em Palmas (PR).
Crime dentro de casa
Segundo a investigação, o crime aconteceu entre os dias 28 e 29 de setembro de 2024, na casa onde Karize vivia com o companheiro.
De acordo com o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), o homem teria enforcado a advogada durante uma discussão motivada por ciúmes.
A acusação considera que o estado de saúde da vítima, que havia passado recentemente por uma cirurgia nos rins, dificultou sua defesa.
Corpo foi encontrado 40 dias depois
Karize permaneceu desaparecida por cerca de 40 dias até que seus restos mortais fossem localizados em uma área de mata em Palmas.
O período sem notícias provocou sofrimento à família, que permaneceu sem informações sobre o paradeiro da advogada.
Na sentença, a magistrada destacou que a demora também dificultou o processo de luto dos familiares e a possibilidade de uma despedida adequada.
O réu está preso preventivamente desde a época dos fatos.
Quatro qualificadoras
O MPSC apontou quatro qualificadoras para o homicídio: feminicídio, por ter ocorrido em um contexto de violência doméstica e familiar; motivo torpe, relacionado ao ciúme; asfixia, pelo enforcamento; e recurso que dificultou a defesa da vítima, considerando o estado debilitado de Karize.
Durante o julgamento, realizado nesta quinta-feira (10), o réu alegou legítima defesa, o que levou ao reconhecimento da chamada confissão qualificada.
Ao todo, foram ouvidas sete pessoas durante a instrução em plenário, sendo cinco indicadas pela acusação e duas pela defesa. Depois, o réu foi interrogado e as partes apresentaram suas argumentações aos jurados.
Júri durou cerca de 15 horas
O Tribunal do Júri da comarca de Caçador começou os trabalhos pouco depois das 7h30 e terminou após aproximadamente 15 horas de julgamento.
Familiares da vítima e do réu, amigos, advogados, estudantes e integrantes da comunidade acompanharam a sessão realizada no Salão do Júri do Fórum da comarca.
Ao final, o homem foi condenado a 31 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver.
Uma vida interrompida
Antes do crime, Karize vivia um momento de mudanças na vida profissional e pessoal. Aos 33 anos, ela havia recém-comprado um carro e aberto o próprio escritório de advocacia.
A advogada também vivia com cinco gatos. Além da pena de prisão, o condenado deverá pagar R$ 50 mil por danos morais à família da vítima.
A magistrada negou ainda ao réu o direito de recorrer em liberdade. O processo tramita sob segredo de Justiça.
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