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De imagem na bolsa a um grande amor: jornalista de Chapecó relembra promessa a Santo Antônio que marcou sua vida

No Dia de Santo Antônio, Juliane Bee compartilha como a fé, as tradições familiares e a devoção ao santo casamenteiro fizeram parte de sua trajetória

Por: Alessandra de Oliveira
13/06/2026 09h02 - Atualizado há um dia
De imagem na bolsa a um grande amor: jornalista de Chapecó relembra promessa a Santo Antônio que marcou sua vida

Entre as inúmeras histórias que surgem nesta época do ano envolvendo Santo Antônio, padroeiro conhecido popularmente como o santo casamenteiro, uma delas vem de Chapecó e mistura fé, tradição familiar e uma dose de esperança.

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A jornalista Juliane Bee, hoje com 27 anos, conta que cresceu em uma família católica onde as práticas religiosas sempre estiveram presentes. Desde criança, acompanhou missas, celebrações e histórias sobre santos, principalmente por influência da avó, considerada uma das principais referências religiosas da família.

“Minha avó sempre foi muito ligada à Igreja e transmitiu isso para toda a família. A fé sempre fez parte da nossa rotina, então eu cresci ouvindo histórias dos santos e vendo essas tradições acontecerem dentro de casa”, relembra.

Ao longo dos anos, Juliane também manteve o hábito de participar de costumes populares ligados à fé e às crenças passadas de geração em geração. Entre eles estava uma tradição bastante conhecida entre os devotos de Santo Antônio: recorrer ao santo para pedir ajuda na vida amorosa.

A primeira imagem do santo chegou pelas mãos da avó, que orientou a neta a manter a figura de cabeça para baixo enquanto aguardava a chegada de um companheiro. O costume, embora visto por muitos apenas como uma simpatia popular, tornou-se uma brincadeira frequente dentro da família.

“Eu sempre gostei desses rituais populares. Desde usar branco no Ano-Novo, fazer simpatias ou seguir tradições que passam de geração para geração. Então, quando falavam de Santo Antônio, eu também entrava na brincadeira e fazia minha parte”, conta.

Mas foi em 2024 que a história ganhou um novo significado. Durante uma viagem à Itália, uma amiga de Juliane visitou locais ligados à devoção de Santo Antônio e trouxe pequenas imagens do santo para presentear amigas solteiras.

A jornalista recebeu uma delas e decidiu carregá-la diariamente na bolsa. Seguindo a tradição popular, colocou a imagem de cabeça para baixo e prometeu que só a colocaria na posição correta quando encontrasse alguém especial.

“Eu deixava o santinho comigo o tempo todo. Era uma forma de lembrar da minha fé e também do pedido que eu tinha feito. Eu brincava que ele só sairia daquela posição quando resolvesse me ajudar”, lembra.

Meses depois, em novembro daquele mesmo ano, conheceu Cássio, seu primeiro namorado.

Segundo ela, o relacionamento começou de forma natural e diferente das experiências anteriores. No primeiro encontro, uma longa conversa fez surgir a sensação de que estava diante de alguém com quem compartilhava valores, objetivos e uma conexão rara.

“Foi muito diferente de tudo que eu já tinha vivido. A conversa fluiu de uma forma tão natural que, quando saí daquele jantar, pensei: acho que vou namorar esse homem. Parecia que a gente já se conhecia há muito tempo”.

Além da afinidade imediata, outro detalhe chamou a atenção: ambos possuem forte ligação com a fé católica e mantêm a participação ativa em celebrações religiosas.

“Uma das coisas que mais me encantou foi perceber que ele também tinha valores muito parecidos com os meus. A fé sempre foi algo importante para mim, então encontrar alguém que compartilhasse disso fez toda a diferença”.

Depois do início do namoro, Juliane lembrou da pequena imagem que seguia guardada na bolsa. Como forma de agradecimento, retirou o santo da posição invertida e entregou a peça para outra amiga solteira, dando continuidade à tradição.

“Quando percebi que estava vivendo aquele relacionamento, lembrei imediatamente do Santo Antônio. A primeira coisa que fiz foi agradecer. Depois passei a imagem para outra amiga, porque achei que era a coisa certa a fazer” conta.

A história também ganhou um capítulo especial por conta da família. No mesmo ano em que ela iniciou o relacionamento, sua mãe e sua avó participaram de uma peregrinação religiosa em Curitiba e fizeram orações pedindo que Juliane encontrasse uma pessoa especial.

Hoje, a jornalista vê toda a trajetória com carinho, mas faz questão de destacar que a fé não substitui as atitudes pessoais.

Para ela, acreditar é importante, mas também é necessário estar preparado para viver aquilo que se deseja. Cuidar de si mesmo, cultivar bons valores e estar aberto a novas oportunidades são atitudes que caminham lado a lado com qualquer pedido feito em oração.

“Eu não acredito que basta pedir e esperar sentado. A gente precisa fazer a nossa parte. É importante se preparar, evoluir, se conhecer e aprender a gostar de si mesmo. Quando você está bem consigo, você acaba atraindo coisas boas para a sua vida”.

Juliane também afirma que o relacionamento trouxe uma confirmação que ela aguardou durante muitos anos.

“Eu sempre acreditei que a pessoa certa chegaria no momento certo. Demorou um pouco mais do que eu imaginava, mas hoje vejo que valeu a pena esperar. Às vezes a gente quer apressar as coisas, mas quando é para acontecer, simplesmente acontece” destaca.

A origem da fama de Santo Antônio

Celebrado em 13 de junho, Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, no final do século XII e se tornou uma das figuras mais veneradas da Igreja Católica. Conhecido por sua dedicação aos mais necessitados, ele também ficou associado à união de casais.

A fama de santo casamenteiro surgiu a partir de relatos históricos que apontam sua ajuda a jovens sem recursos financeiros para realizarem seus casamentos. Com o passar do tempo, a devoção ganhou força em diversos países e se transformou em uma das tradições mais populares do calendário religioso.

No Brasil, simpatias, novenas e promessas dedicadas ao santo atravessam gerações e seguem vivas até hoje, especialmente entre aqueles que buscam um relacionamento sério ou a realização do sonho do casamento.

Para Juliane, independentemente da forma como cada pessoa interpreta essas tradições, a história que viveu serve como uma lembrança de que fé, esperança e disposição para viver novas experiências podem caminhar juntas.

“Eu gosto de pensar que Deus prepara as coisas no tempo certo. A fé nos fortalece, mas também nos ajuda a enxergar oportunidades quando elas aparecem. No fim das contas, quando é para ser, é para ser. E quando vem com a bênção de Deus, tudo faz ainda mais sentido.”

E foi justamente dessa combinação de fé, paciência e esperança que nasceu uma história de amor que continua sendo escrita.

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