Um levantamento divulgado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) aponta que o estado registrou 335 feminicídios entre 2020 e 2024, revelando padrões preocupantes sobre o perfil das vítimas e a dinâmica desse tipo de crime.
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De acordo com o Mapa do Feminicídio, cerca de 71% dos casos são classificados como feminicídios íntimos, ou seja, cometidos por companheiros ou ex-companheiros, evidenciando a forte ligação entre a violência letal e relações afetivas.
Os dados mostram que a maioria das vítimas são mulheres com baixa renda e baixa escolaridade, muitas sem vínculo empregatício formal, o que aponta para situações de dependência econômica e dificuldade de acesso a mecanismos de proteção. Além disso, 65% eram mães e quase 80% tinham entre 12 e 49 anos.
Outro dado alarmante é que 73,2% das vítimas nunca tiveram acesso a medidas protetivas, enquanto apenas uma parcela chegou a buscar ajuda formal antes do crime.
Crimes ocorrem dentro de casa e com histórico de violência
O estudo revela que 76,4% dos feminicídios acontecem dentro da residência, reforçando o caráter doméstico da violência. Em grande parte dos casos, há um histórico prévio de agressões, identificado em 68,9% das vítimas, muitas vezes sem registro formal nos sistemas de proteção.
Outro ponto destacado é que o término de relacionamento aparece como fator crítico, sendo responsável por quase metade dos casos dentro do contexto de feminicídio íntimo.
Em relação aos meios utilizados, o levantamento aponta que o uso de arma branca (47,7%) é mais frequente do que o de arma de fogo, indicando crimes cometidos de forma impulsiva e com objetos disponíveis no momento.
Interior concentra maior risco e forma “corredores do crime”
A análise territorial identificou regiões com maior incidência proporcional de feminicídios, especialmente em municípios menores. Um dos principais “corredores do feminicídio” está localizado no Oeste catarinense, abrangendo cidades entre Xanxerê e São Miguel do Oeste.
Outro corredor relevante foi identificado na região entre Lages e Curitibanos, com índices superiores aos registrados no litoral e grandes centros.
Apesar de os números absolutos serem maiores em cidades maiores, o estudo indica que o risco proporcional é maior no interior, onde há maior dificuldade de acesso a redes de apoio e proteção.
O levantamento também aponta que, apenas em 2025, o estado registrou 52 feminicídios, além de já contabilizar novos casos em 2026, reforçando a necessidade de políticas públicas mais eficazes no enfrentamento à violência contra a mulher.
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