Rosane Mettler aprendeu desde cedo que estudar exigia esforço. Ainda criança, no interior de Quilombo, no Oeste de Santa Catarina, ela caminhava quatro quilômetros para ir à escola e outros quatro para voltar para casa.
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Na época, não havia transporte para levar Rosane até a escola. O caminho era feito a pé, todos os dias. Além dos oito quilômetros percorridos diariamente, ela ajudava a família nas atividades do campo.
“Eu andava quatro quilômetros para ir e quatro quilômetros para voltar a pé”, relembrou.
A rotina incluía tirar leite, cortar pasto e até carregar carroças de milho. A escola ficava em uma comunidade do interior e fazia parte de uma infância marcada pelo trabalho e pelos estudos.
Anos depois, uma situação curiosa fez com que Rosane reencontrasse uma parte dessa história. Durante um atendimento como podóloga em Quilombo, ela teve entre os pacientes justamente sua primeira professora.
Aos 12 anos, uma nova realidade
Rosane não se identificava com a vida na roça. Aos 12 anos, deixou a casa da família para estudar em Poço das Antas, no Rio Grande do Sul, onde passou a frequentar um colégio de freiras.
O local também mantinha um hospital. Foi ali, ainda com 12 anos e meio, que ela teve os primeiros contatos com o ambiente hospitalar e começou a construir a relação com a área da saúde que acompanharia toda a sua vida.
Depois de dois anos e meio no Rio Grande do Sul, ela seguiu para Ponta Grossa, no Paraná, onde permaneceu por mais um ano. Mais tarde, retornou a Quilombo para concluir os estudos.
A decisão seguinte ajudaria a definir sua carreira: em vez de terminar o ensino médio e seguir outro caminho, optou pelo curso de enfermagem.
Mais de 30 anos na enfermagem
Rosane se formou como auxiliar de enfermagem e começou a trabalhar em hospital. Mas a formação não parou ali.
Ao longo dos anos, buscou novos conhecimentos e qualificações, passando por cursos como enfermagem do trabalho e capacitação em sala de vacinas. Também participou do primeiro congresso estadual de combate ao tabagismo.
Em 2005, mudou-se para Xanxerê, onde vive há 21 anos. A cidade marcou também um dos períodos mais difíceis de sua vida.
Pouco depois de chegar ao município, Rosane perdeu a filha, Jéssica. Mesmo diante da dor, encontrou nos estudos uma maneira de continuar seguindo em frente.
Depois da perda, ela voltou a estudar
Foi após a perda da filha que Rosane decidiu retomar os estudos. Cursou a primeira graduação, em Recursos Humanos, e posteriormente iniciou uma nova formação, desta vez em Podologia.
A segunda faculdade abriu uma nova frente profissional para quem já acumulava mais de três décadas de experiência na enfermagem.
Hoje, Rosane divide a rotina entre as duas áreas e segue trabalhando no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), além de atuar como podóloga.
Para ela, as duas profissões têm algo em comum: o cuidado com as pessoas.
De aluna a professora
A busca por conhecimento também levou Rosane a uma nova posição. Nesta semana, ela embarca para Belém, no Pará, para participar de um congresso de podologia a convite do Conselho Brasileiro de Podólogos.
A viagem representa mais uma etapa de uma trajetória que começou com uma menina caminhando quilômetros para chegar à escola.
Desta vez, Rosane não vai apenas como participante. Ela também foi convidada para ensinar.
Entre aprender e compartilhar o que sabe, mantém o mesmo princípio que acompanhou sua trajetória desde a infância: continuar estudando.
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