O projeto básico do trecho ferroviário entre Chapecó e Correia Pinto foi concluído e entregue formalmente à Secretaria de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF) no fim de agosto. O segmento integra o projeto do Corredor Ferroviário de Santa Catarina e possui aproximadamente 319 quilômetros de extensão. A informação também consta em documentos oficiais do Governo de Santa Catarina e do Tribunal de Contas do Estado.
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O projeto prevê a implantação de 49 pontes e viadutos e 14 túneis ao longo do trajeto. Segundo a SPAF, o custo estimado para a implantação do trecho é de R$ 14,8 bilhões, o que representa cerca de R$ 46,7 milhões por quilômetro.
O trecho Chapecó–Correia Pinto é parte de uma proposta mais ampla de integração ferroviária de Santa Catarina, com conexões previstas entre o Oeste catarinense e os principais complexos portuários do Estado.
Conexão com portos e outras ferrovias
A proposta prevê ligações com os portos de Itajaí e Navegantes e, por outro ramal, com o Porto de Imbituba e a Ferrovia Tereza Cristina.
Em Correia Pinto, o corredor deverá se conectar ao Tronco Sul da Malha Sul, possibilitando a integração com outras regiões. Já em Chapecó, o projeto integral do Corredor Ferroviário Santa Catarina prevê conexão com o Tramo Sul da Ferrovia Norte-Sul.
A intenção é criar um corredor para o transporte de cargas entre o Centro-Oeste brasileiro, Paraná e Santa Catarina.
Ferrovia mira logística do Oeste
De acordo com a SPAF, a implantação da ferrovia pode ampliar as alternativas de transporte para a produção do Oeste catarinense, especialmente para setores ligados à agroindústria.
Entre as cargas com potencial para utilização do modal ferroviário estão milho, soja e farelos, além de fertilizantes, carnes congeladas e refrigeradas, ração animal e derivados lácteos.
Um dos pontos destacados pela secretaria é o abastecimento de milho utilizado na produção de ração. Segundo os dados apresentados pela pasta, o produto percorre atualmente mais de 1,5 mil quilômetros desde regiões produtoras do Centro-Oeste até os principais polos consumidores de Santa Catarina.
Diferença de custos entre os modais
Dados apresentados pela SPAF com base nos estudos do Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT-SC) apontam que o custo médio do transporte ferroviário em Santa Catarina é de R$ 296,81 por mil toneladas-quilômetro útil (TKU), enquanto o transporte rodoviário chega a R$ 923,37 por mil TKU.
A secretaria estima que a transferência de cargas de longa distância das rodovias para os trilhos poderia representar uma redução de até 68% no custo unitário de transporte, dependendo da cadeia logística analisada.
Projeto ainda depende de outras etapas
Apesar da conclusão do projeto básico, a ferrovia ainda não está pronta para entrar em operação. A implantação depende de etapas relacionadas à concessão da Malha Sul e à estruturação do corredor ferroviário.
O Governo de Santa Catarina defende que o trecho seja considerado entre as prioridades na futura concessão e mantém tratativas com o governo federal para avançar na estruturação do projeto.
Entre os próximos passos está a contratação, pelo BNDES, de uma empresa para elaborar e supervisionar o Estudo Técnico de Viabilidade Econômica e Social.
Trajeto envolve municípios do Oeste e Serra
O trecho Chapecó–Correia Pinto contempla regiões que incluem Chapecó, Xanxerê, Concórdia, Joaçaba, Erval Velho, Correia Pinto e Lages.
A proposta completa do Corredor Ferroviário Santa Catarina também prevê a conexão do Extremo Oeste, passando por Dionísio Cerqueira, São Miguel do Oeste, Pinhalzinho e Chapecó.
O valor de R$ 14,8 bilhões corresponde especificamente ao trecho Chapecó–Correia Pinto. O custo total do corredor entre o Extremo Oeste e o litoral ainda depende da conclusão dos estudos de viabilidade.
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