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Vendeu casa e carro para abrir uma relojoaria; 25 anos depois, colhe os frutos em SC

Empresário de São Miguel do Oeste transformou uma aposta arriscada em um negócio familiar

Por: Daiane
22/07/2026 09h02 - Atualizado há um hora
(Foto: Siana da Silva)
(Foto: Siana da Silva)

Arriscar tudo para realizar um sonho parecia uma aposta perigosa, mas foi justamente essa decisão que mudou a vida do relojoeiro Oraci Pedro da Silva

Depois de vender a casa e o carro para abrir o próprio negócio, ele consolidou uma empresa que completa 25 anos em São Miguel do Oeste, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, mantendo viva uma profissão cada vez mais rara.

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Tudo começou sem salário

A paixão pela relojoaria nasceu ainda na adolescência. Em 1985, incentivado pelo pai, Antônio Pereira da Silva Neto, Oraci entrou em uma relojoaria da cidade como ajudante geral.

Nos primeiros meses, não recebia salário. Mesmo assim, encarava cada tarefa como uma oportunidade de aprendizado.

"Eu fazia de tudo. Limpava a loja, ajudava em tudo, até lavava carro. Naquela época, a gente fazia de tudo para aprender", lembrou.

O empresário destacou que aquele período foi decisivo para a carreira e faz questão de reconhecer quem abriu as primeiras portas.

"Jamais vou esquecer quem me deu essa oportunidade. Tenho muita gratidão ao seu Lotário, em São Miguel do Oeste, e ao seu Valentim Lunelli, em Palmitos. Eles acreditaram em mim quando eu estava começando", disse.

Recomeço e uma aposta de alto risco

Aos 17 anos, Oraci mudou-se para Palmitos em busca de novas oportunidades. Foi na cidade que aprofundou os conhecimentos técnicos enquanto iniciava a vida ao lado da esposa, Rosimari Locatelli da Silva.

Com poucos recursos, enfrentou os desafios típicos de quem começa praticamente do zero.

"Eu não tinha nada. Fui pagar aluguel, minha esposa grávida, tudo muito simples. A gente morava onde dava, sempre procurando o lugar mais barato", contou.

Após cerca de 13 anos em Palmitos, a morte do pai fez com que ele retornasse para São Miguel do Oeste para ficar perto da mãe e dos irmãos.

Pouco tempo depois veio a decisão mais importante da vida profissional. Em 2001, vendeu a casa e o carro para investir na abertura da Relojoaria São Miguel.

"Foi um risco muito grande. Cheguei a pagar dois aluguéis, da casa e da loja. Se não desse certo, eu perdia tudo", lembrou Oraci.

Nos primeiros anos, a dedicação era integral. "Não tinha horário. Trabalhávamos sábado, domingo e até fazíamos comida dentro da loja."

O esforço deu resultado. O empreendimento cresceu, conquistou clientes e permanece até hoje no mesmo endereço, na rua Marcílio Dias, no centro da cidade.

Empresa virou tradição de família

A história da empresa também se mistura com a da filha, Siana, que nasceu durante o período em que a família morava em Palmitos.

Ainda jovem, ela passou a ajudar no negócio e, com o tempo, tornou-se peça essencial na administração da loja.

"Ela sempre foi meu braço direito", afirmou Oraci.

Em 2011, após a formação da filha em Óptica, a empresa ampliou os serviços e passou a atuar também no segmento óptico, tornando-se Relojoaria e Ótica São Miguel.

Relógios continuam tendo valor mesmo na era dos celulares

Embora celulares e relógios inteligentes tenham mudado os hábitos dos consumidores, Oraci acredita que os relógios tradicionais continuam ocupando um espaço importante.

Segundo ele, muitas peças carregam histórias de família e valor sentimental.

"Muitas pessoas trazem relógios herdados de pais e avós. São objetos que passam de geração em geração e representam lembranças que não têm preço", disse.

Ao mesmo tempo, a empresa acompanhou as mudanças do mercado e passou a trabalhar também com modelos digitais e smartwatches.

Um ofício que corre o risco de desaparecer

Além da venda de relógios e óculos, a loja realiza consertos, troca de peças, limpeza, polimentos, ajustes e reparos em joias de ouro e prata.

Apesar da demanda, Oraci demonstra preocupação com o futuro da profissão.

Segundo ele, cada vez menos jovens demonstram interesse em aprender o ofício, enquanto muitos relojoeiros experientes já se aposentaram.

O futuro está nas próximas gerações

Sem planos de abrir filiais ou expandir o negócio, Oraci prefere manter a empresa em ritmo familiar.

Depois de décadas de trabalho intenso, o objetivo agora é preservar o legado construído ao lado da família.

A expectativa é que Siana continue conduzindo a empresa nos próximos anos e, quem sabe, que um futuro neto também se interesse pela profissão.

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