A Catedral Santo Antônio faz parte da paisagem e da história de Chapecó há décadas. Às vésperas do aniversário de 109 anos do município, celebrado neste 25 de agosto, o Canal Ideal foi conhecer a trajetória de um dos principais cartões-postais da cidade, que carrega na arquitetura, nos vitrais e até nas marcas de uma antiga tragédia.
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Com duas torres de 54 metros de altura, a Catedral chama a atenção na paisagem de Chapecó. Mas a construção que conhecemos hoje surgiu depois que a primeira igreja da paróquia foi destruída por um incêndio.
Primeira igreja
A história da Paróquia Santo Antônio começou com uma igreja de madeira, construída entre 1938 e 1940.
O templo, porém, foi destruído na noite de 4 de outubro de 1950, em um incêndio que marcou a história da cidade. Da primeira igreja, restou apenas a torre lateral.
Após a destruição, surgiu a necessidade de construir um novo templo, dando origem à Catedral Santo Antônio que hoje faz parte da paisagem de Chapecó.
Construção levou cinco anos
A construção da atual igreja começou em setembro de 1951 e foi concluída em dezembro de 1956.
A inauguração ocorreu em 8 de dezembro de 1956.
Segundo registros históricos da Catedral, a planta teria sido desenvolvida pelo arquiteto paulista Benedito Calixto Netto de Jesus, apontado como o mesmo profissional responsável pelo projeto da Basílica de Aparecida.
O templo segue características do estilo gótico e neogótico, com elementos arquitetônicos que ajudam a criar a aparência imponente da construção.
Dois anos após a inauguração, a igreja ganhou ainda mais importância para a região. Em 12 de janeiro de 1958, com a criação da Diocese de Chapecó, passou oficialmente a ser a Catedral.
Torres chegam a 54 metros de altura
As dimensões ajudam a explicar a grandiosidade do templo.
A Catedral possui aproximadamente:
- 62 metros de comprimento;
- 45 metros de largura;
- 37 metros de comprimento na nave principal;
- 20 metros de largura na nave principal;
- 18 metros de altura nas paredes;
- 54 metros de altura nas torres.
O espaço tem capacidade para aproximadamente mil pessoas sentadas.
Interior passou por reformas
Ao longo das décadas, a Catedral também passou por transformações.
Em 1972, o templo passou por uma remodelação para adequar seus espaços aos requisitos da Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II.
Já no ano 2000, uma restauração interna incluiu intervenções no sistema elétrico e de som, além de trabalhos no forro e gesso, presbitério, coro, torres, pintura e salas anexas.
Teto cria sensação de dimensão celeste
Um dos elementos que chamam a atenção de quem entra na Catedral está acima dos visitantes.
O teto possui gesso rebaixado e mandalas ao centro, formando uma composição de cores e elementos que cria uma sensação de profundidade e remete, segundo a descrição da própria Catedral, a uma dimensão celeste.
A combinação foi pensada para levar o olhar para cima e criar uma atmosfera ligada ao transcendente.
Outro ponto de destaque está no presbitério: a imagem de Cristo ressuscitado. A representação busca transmitir a ideia de proximidade e presença de Cristo ressuscitado no espaço central do templo.
Vitrais contam histórias da fé
Quem visita a Catedral também encontra nos vitrais uma espécie de narrativa visual.
As peças retratam episódios relacionados à vida dos santos, aos sacramentos e ao ministério de Cristo.
Um dos exemplos é o vitral que representa o milagre de Santo Antônio e os peixes.
A cena remete à passagem em que Santo Antônio, ao perceber a ingratidão dos homens para com Deus, teria se dirigido aos peixes para falar sobre a fé.
Outro destaque é o Cristo na Cruz. A representação possui plumas ao redor do corpo e em parte da veste de Cristo.
Segundo a interpretação apresentada sobre a obra, as plumas fariam referência à ave Fênix, associada, na tradição cristã, aos símbolos de esperança e renascimento.
Um símbolo que acompanha a história de Chapecó
Mais do que um espaço religioso, a Catedral Santo Antônio se tornou parte da identidade visual de Chapecó.
Suas torres podem ser vistas de diferentes pontos da cidade e ajudam a marcar a paisagem urbana. A construção atual também carrega consigo uma parte da memória do município: a primeira igreja de madeira, o incêndio de 1950, a reconstrução iniciada no ano seguinte e a transformação da igreja em Catedral com a criação da Diocese.
Às vésperas dos 109 anos de Chapecó, a história do templo mostra como um prédio pode ir além da arquitetura e se transformar em um dos símbolos de uma cidade.
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