Chapecó completa 109 anos nesta terça-feira (25), mas a história da cidade começou em antigos caminhos percorridos por tropeiros e em pequenos núcleos de povoação.
Para entender como esse território se transformou na cidade que hoje se aproxima dos 300 mil habitantes, o Canal Ideal conversou com Leonardo Dlugokenski, coordenador dos Museus de Chapecó, que explicou onde surgiu a primeira ocupação e como a cidade começou a se expandir.
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Segundo Leonardo, o primeiro povoado surgiu no Passo do Carneiro, região que atualmente é conhecida por Distrito de Marechal Bormann.
Na sequência, a ocupação avançou pelo Passo dos Índios, área onde hoje está o centro de Chapecó, e posteriormente chegou ao bairro Passo dos Fortes.
Antes mesmo de Chapecó existir como município, a região já fazia parte da rota utilizada por tropeiros que transportavam gado do Rio Grande do Sul em direção a São Paulo.
Os viajantes passavam pelo Passo do Carneiro, pelo Passo dos Índios, Passo dos Fortes e Passo do Xanxerê antes de seguir em direção ao Paraná e, posteriormente, a Sorocaba.
Quando Chapecó foi emancipado, em 25 de agosto de 1917, a primeira sede da prefeitura foi instalada no Passo do Carneiro, que, segundo Leonardo, era naquele momento o local com maior população e desenvolvimento.
O nascimento do centro
A história começou a mudar em 1922, quando o coronel Ernesto Francisco Bertaso chegou à região.
Empresário e antigo caixeiro-viajante do Rio Grande do Sul, Bertaso já havia adquirido propriedades na região e escolhido o chamado Passo dos Índios para desenvolver um novo núcleo urbano.
A área foi escolhida principalmente por ser mais plana. A partir dali, começaram a ser organizadas estradas e terrenos, enquanto vendedores eram enviados ao Rio Grande do Sul para comercializar terras.
O processo atraiu principalmente descendentes de italianos vindos de municípios como Nova Prata e Guaporé, aumentando gradualmente a população.
A cidade em poucas ruas
O crescimento inicial de Chapecó era bastante diferente do cenário atual.
Uma das primeiras grandes vias foi a Avenida Getúlio Vargas, que se estendia da região onde hoje está a Prefeitura até a área da atual rotatória do Pitol.
Um dos primeiros bairros a ganhar importância nesse processo foi o Passo dos Fortes, que já era conhecido como local de passagem de gado e estava ligado à tradicional Família Fortes.
O maior bairro de Chapecó
O bairro Efapi está diretamente relacionado a uma nova fase da história de Chapecó: a expansão da agroindústria. Ele ganhou força principalmente a partir da década de 1970, com a chegada da Sadia, hoje BRF.
Trabalhadores vieram para Chapecó em busca de emprego nas agroindústrias e passaram a morar no entorno das empresas.
Processo semelhante ocorreu em outras regiões, como o bairro São Cristóvão, onde surgiu o frigorífico Marafon, atraindo trabalhadores que também passaram a residir nas proximidades.
A expansão do setor agroindustrial continuou com outras empresas, como a Aurora, contribuindo para o crescimento populacional de diferentes regiões da cidade.
O próprio nome Efapi tem origem nesse período de transformação. A sigla surgiu a partir da Feira Agropecuária e Industrial, criada em 1967.
Segundo Leonardo, o coronel Bertaso doou as terras ao município para a instalação do parque.
Décadas depois, a região que ficava “no meio do mato” passou a ser uma das áreas mais populosas de Chapecó.
Uma cidade construída por quem veio de fora
Para Leonardo, a trajetória de Chapecó também é marcada pela disposição da população em buscar desenvolvimento.
Ele destaca que o município, desde as primeiras décadas, procurou investir em estruturas que ajudassem a reduzir a distância em relação aos grandes centros.
Na década de 1940, Chapecó já contava com aeroporto. Na década seguinte, passou a ter hospital.
“Chapecó é um município de gente que sempre quis ir pra frente”, resumiu o coordenador.
A história dos bairros, portanto, acompanha a própria transformação do município: dos caminhos dos tropeiros ao primeiro núcleo em Marechal Bormann; do Passo dos Índios ao Centro; da expansão para o Passo dos Fortes e, décadas depois, ao crescimento acelerado de regiões como a Efapi.
Em 109 anos, Chapecó deixou de ser um pequeno núcleo para se transformar em um dos principais polos econômicos do Oeste de Santa Catarina.
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