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Segurança pública

VÍDEO: Empresas viram alvo de operações contra lavagem de dinheiro em SC; veja os sinais que chamam atenção

Casos envolvem empresas e empresários e chegaram ao Oeste do Estado

Por: Daiane da Silva
01/10/2026 11h04 - Atualizado há 6 horas
(Foto: Daiane da Silva)
(Foto: Daiane da Silva)

Ao menos sete operações deflagradas em 2026 investigaram suspeitas de lavagem de dinheiro em Santa Catarina, com medidas contra empresas, empresários e pessoas ligadas aos grupos investigados. 

Em parte dos casos, as apurações apontam para o uso de estruturas empresariais, contratos e movimentações financeiras para tentar dar aparência legal a recursos de origem suspeita.

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Como uma operação aparentemente normal pode esconder irregularidades

A lavagem de dinheiro busca ocultar ou disfarçar a origem de recursos obtidos de forma ilícita. Segundo o advogado criminal Yonatan Maier, especialista em direito penal empresarial, uma das dificuldades está justamente no fato de que determinadas movimentações podem parecer comuns quando analisadas isoladamente.

“Um contrato, uma prestação de serviço, uma compra, uma venda ou uma transferência” pode aparentar normalidade, explica o advogado. Por isso, segundo ele, a documentação e os controles internos são importantes para demonstrar a legitimidade das operações.

As investigações realizadas em Santa Catarina em 2026 envolveram suspeitas relacionadas a crimes como fraudes em licitações, corrupção, crimes tributários, fraude imobiliária, descaminho e ocultação de patrimônio.

Entre as operações estão Grau Zero, DNA do Crime, Nórcia, Gaiola Digital, Estoque Zero, Mercúrio e Mercado Oculto.

Operações chegaram ao Oeste catarinense

Entre os casos, a Operação Mercado Oculto, deflagrada em setembro, teve origem em uma investigação da 6ª Promotoria de Justiça de Chapecó e cumpriu 31 mandados de busca e apreensão em municípios de Santa Catarina e do Paraná.

Segundo o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), a investigação apura crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de estabelecimentos comerciais. Os investigadores apontam que empresas formalmente independentes poderiam estar ligadas a uma mesma estrutura empresarial e familiar.

A operação também alcançou municípios do Oeste, como Chapecó, Xanxerê, Xaxim, Maravilha, Abelardo Luz, Caibi, Campo Erê, Cunha Porã, Faxinal dos Guedes, Irani, Mondaí, Palmitos, Pinhalzinho, Ponte Serrada, São Carlos, São Domingos, Saudades e Seara, entre outros.

Também no Oeste, a Operação Mercúrio, conduzida a partir de investigação da Promotoria de Justiça de Concórdia, apura a movimentação e a ocultação de valores relacionados a atividades criminosas, especialmente tráfico de drogas. Segundo o MPSC, os recursos seriam enviados para São Paulo, onde passariam por diferentes operações financeiras para dificultar a identificação da origem. Os mandados dessa fase foram cumpridos em São Paulo.

Quais sinais devem chamar a atenção das empresas?

Para o advogado Yonatan Maier, um dos principais problemas está na falta de integração entre os setores da empresa.

Movimentações financeiras incompatíveis com o negócio, fornecedores sem histórico, pagamentos fracionados e operações sem justificativa econômica podem parecer situações isoladas. Quando analisadas em conjunto, porém, podem indicar a necessidade de uma apuração mais cuidadosa, segundo o especialista.

Outro ponto destacado é o chamado “conheça seu parceiro”. A recomendação é que a empresa não verifique apenas se determinado fornecedor possui CNPJ ativo, mas também procure entender quem está por trás da relação comercial, qual é a capacidade econômica da empresa e se a operação é compatível com o contrato firmado.

Prevenção começa antes de uma investigação

Segundo Maier, os mecanismos de compliance e controle interno não devem ser restritos às grandes corporações. Eles podem funcionar como uma forma de proteção para empresários e para a própria atividade econômica.

A orientação é identificar possíveis falhas antes que elas sejam utilizadas em um esquema. Depois que uma investigação é iniciada, afirma o advogado, o espaço para corrigir preventivamente os problemas é menor.

As operações citadas permanecem em diferentes fases de investigação e, nos casos mencionados, as suspeitas apuradas ainda não significam condenação dos investigados. As responsabilidades individuais dependem do avanço das investigações e, quando houver denúncia, do julgamento pela Justiça.

Outras operações investigaram empresas e empresários

A Operação DNA do Crime, deflagrada em junho, cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e sete de prisão contra empresários. A Justiça também determinou medidas envolvendo até R$ 66 milhões, 95 veículos e 19 imóveis. Segundo o MPSC, a investigação apontou o uso de contratos e empréstimos fictícios entre empresas e pessoas físicas do mesmo grupo, além de pessoas usadas como “laranjas”.

Já a Operação Nórcia, em junho, investigou fraude imobiliária, estelionato e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva contra empresários. Conforme o MPSC, a apuração identificou possível confusão patrimonial entre pessoas físicas e jurídicas ligadas a um empreendimento imobiliário.

Em julho, a Operação Gaiola Digital investigou suspeitas de fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em municípios catarinenses. Segundo o MPSC, a investigação identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade empresarial regular e suspeitas de uso de recursos para pagamentos ilícitos.

Também em julho, a Operação Estoque Zero, da Polícia Federal, investigou descaminho e lavagem de dinheiro. A apuração apontou a comercialização de eletrônicos sem a correspondente documentação fiscal e o uso de maquininhas cadastradas em nome de terceiros para movimentar valores. Foram determinadas medidas de sequestro de bens e valores superiores a R$ 14,5 milhões.

Em abril, a Operação Grau Zero investigou rachas, organização criminosa e lavagem de dinheiro na Grande Florianópolis. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em Biguaçu, Palhoça, Antônio Carlos e Itapema.

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