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Polícia

VÍDEO: Policial Civil de SC relembra 47 anos de profissão e as mudanças na corporação

Valdir Parizotto entrou para a Polícia Civil em 1979 e hoje segue atuando em Chapecó

Por: Daiane da Silva
30/09/2026 10h01 - Atualizado há 59 minutos
(Foto: Daiane da Silva)
(Foto: Daiane da Silva)

Quando entrou na Polícia Civil, em 1979, Valdir Parizotto ainda registrava ocorrências no papel e trabalhava com viaturas que hoje parecem pertencer a outra época. 

Quase cinco décadas depois, ele relembra histórias e mudanças que marcaram sua trajetória na corporação.

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Parizotto entrou na Polícia Civil por meio de concurso público, no cargo de comissário de polícia, e foi enviado diretamente para Chapecó, onde começou a trabalhar na investigação e no plantão.

Em 1983, foi nomeado delegado e passou a atuar em Coronel Freitas. Permaneceu no município até 1988 e, no início dos anos 1990, retornou a Chapecó como comissário. Trabalhou na Segunda Delegacia e depois no plantão policial até 2010. 

Entre 2010 e 2015, ficou responsável pela Delegacia de Polícia do município de Nova Erechim.

Depois de se aposentar, em 2015, voltou à área da segurança pública por meio do CETISP, programa de contratação de servidores aposentados. Desde então, deixou o trabalho de campo e passou a atuar na área administrativa, como supervisor de provas relacionadas à habilitação.

Segundo ele, a investigação começava muitas vezes no próprio local da ocorrência. Os policiais conversavam com testemunhas, levantavam informações e iniciavam as diligências ainda durante o atendimento.

Parizotto também recorda que, naquela época, havia mais autonomia para os policiais durante as investigações. Ele relaciona essa dinâmica ao resultado dos trabalhos que realizava e afirma que, em determinados períodos, a equipe conseguia recuperar grande parte dos objetos furtados.

Investigação antes dos computadores

Quando ingressou na Polícia Civil, em 1979, praticamente todos os registros eram feitos à mão.

Havia livros específicos para ocorrências, armas, carteiras de habilitação e veículos. Os escrivães utilizavam máquinas de escrever para registrar depoimentos, interrogatórios e outros documentos.

A primeira experiência com computador, segundo Parizotto, veio por volta de 1995, com uma máquina que ele descreve como uma espécie de “máquina de escrever melhorada”.

A tecnologia, segundo ele, foi sendo incorporada aos poucos até chegar aos sistemas atuais, nos quais diversos procedimentos já possuem campos e documentos previamente estruturados.

Condições da época

A falta de estrutura também marcou parte da carreira.

Parizotto lembra de delegacias sem ar-condicionado, aquecimento ou ventilação adequada e relata situações em que chovia dentro dos prédios. 

Ele recorda que uma das primeiras viaturas que utilizou era um Fusca movido a álcool. No inverno, segundo ele, o veículo tinha dificuldade para funcionar.

Em uma das situações lembradas pelo policial, foi necessário empurrar a viatura para fazê-la pegar.

Também havia Fiat 147 entre os veículos utilizados. Os carros não tinham ar-condicionado ou sistemas de climatização como os atuais.

“Policial é para servir e proteger”

Apesar das dificuldades enfrentadas durante a carreira, Parizotto diz não se arrepender do caminho escolhido.

Para ele, o trabalho policial sempre esteve ligado à ideia de servir e proteger. Outro princípio que considera importante é a empatia.

Ele conta que sempre procurou atender as pessoas com respeito e cordialidade e acredita que essa postura ajudou a construir relações de confiança com a comunidade.

Para o policial, uma das maiores recompensas veio justamente dessas relações.

Segundo ele, reencontrar pessoas que foram atendidas durante a carreira e receber um abraço ou ouvir um agradecimento é algo que não tem preço.

Uma carreira que virou parte da vida

A história profissional também se mistura à vida pessoal. Parizotto é casado há mais de 40 anos e conta que sempre teve o apoio da esposa, que também é filha de policiais e conhecia as particularidades da profissão.

Hoje, ele tem dois netos e continua ligado ao ambiente policial mesmo depois da aposentadoria.

Mais de quatro décadas depois de vestir pela primeira vez a farda da Polícia Civil, ele afirma que se sente realizado com o caminho que escolheu, e ainda não pretende ficar distante dos colegas e das pessoas que fizeram parte dessa história.

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