Digite no mínimo 3 caracteres!
Cotidiano

VÍDEO: Aos 68 anos, artesã de Chapecó vive sonho de infância que começou à luz de lampião

Vila do Artesanato, no Ecoparque, dedica espaço à tradição e ao trabalho de artesãs que transformam talento em profissão

Por: Daiane
24/07/2026 09h23 - Atualizado há 2 horas
(Foto: Daiane da Silva)
(Foto: Daiane da Silva)

O sonho de trabalhar com artesanato acompanhou Terezinha Onice Cardoso desde os 12 anos. Aos 68, a artesã colhe os frutos de uma trajetória construída com persistência, depois de superar dificuldades, vender bordados na praça para ajudar no sustento da família e nunca abandonar a paixão que nasceu ainda na infância. 

Hoje, ela é uma das artesãs que expõem seus trabalhos na Vila do Artesanato, no Ecoparque, onde continua escrevendo novos capítulos dessa história.

✅ CLIQUE AQUI E RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS EM PRIMEIRA MÃO NO WHATSAPP

Natural de Constantina (RS), Terezinha chegou a Chapecó aos 30 anos em busca de novas oportunidades e para oferecer melhores condições de estudo aos quatro filhos.

A paixão pelo bordado surgiu ainda na infância. Aos 12 anos, ela aprendeu os primeiros pontos na casa de uma amiga e chegou a confeccionar o próprio enxoval. Mas o sonho foi interrompido quando a mãe acreditava que o artesanato não poderia garantir um futuro.

"Ela dizia que eu nunca ia conseguir ser alguém na vida se continuasse só com o bordado", relembrou Terezinha.

Mesmo deixando o bordado de lado por um período, a paixão nunca desapareceu.

Depois de casar, criar os filhos e trabalhar na agricultura para complementar a renda da família, Terezinha voltou ao artesanato. Em Chapecó, produzia barras de toalhas durante a semana e, aos finais de semana, levava as peças para vender na praça.

A renda ajudava nas despesas da casa e permitia que ela investisse em cursos de aperfeiçoamento. Desde então, nunca mais parou.

Degrau por degrau

Hoje, Terezinha soma mais de 30 anos dedicados ao artesanato profissionalmente e segue buscando novos conhecimentos por meio de cursos e especializações.

Recentemente, concluiu mais uma formação e uma de suas telas fará parte do projeto Artesanato Ouro de Chapecó, que será apresentado no segundo semestre.

Ao longo da caminhada, também enfrentou momentos difíceis. A perda de um dos filhos quase interrompeu sua trajetória, mas foi justamente dele um dos maiores incentivos para continuar.

"Ele sempre dizia: 'Mãe, nunca desista. Corre atrás do sonho que você tem'."

O apoio da família continua sendo uma das maiores motivações. Hoje, a filha também passou a produzir peças. 

Para Terezinha, realizar o sonho é não parar. "Foi degrau por degrau, mas eu consegui. E enquanto eu puder enxergar e minhas mãos conseguirem trabalhar, vou continuar fazendo artesanato."

Uma história construída em grupo

A trajetória de Terezinha se soma à de outras mulheres que ajudaram a fortalecer o artesanato em Chapecó, como a artesã Clecy Maria Dariva Teixeira, de 76 anos.

Moradora da cidade desde 2002, Clecy faz parte da associação de artesãos desde a fundação, em 2006. Segundo ela, o grupo conquistou o primeiro espaço por meio de um edital público. Depois, as artesãs passaram três anos na rodoviária antes de se estabelecerem na Vila do Artesanato, no Ecoparque.

A relação com o artesanato começou enquanto atuava como voluntária no Hospital Regional do Oeste. O que inicialmente eram toalhas bordadas para presentear amigas acabou dando origem a um trabalho coletivo.

"Foi uma luta bem árdua, mas conseguimos", resumiu.

Hoje, seis artesãs integram a associação e se revezam no atendimento ao público, comercializando as próprias peças e compartilhando conhecimentos.

Mais do que um espaço de vendas

Para Clecy, a Vila do Artesanato representa muito mais do que um ponto de comercialização.

"Aqui é a nossa casa. É onde a gente conversa, troca ideias, aprende uma com a outra e continua criando."

A Vila do Artesanato funciona no Ecoparque de terça a domingo, das 13h30 às 19h, reunindo produtos confeccionados por artesãos de Chapecó e oferecendo à comunidade e aos visitantes um espaço para conhecer e adquirir peças produzidas na cidade.

Quer mandar uma sugestão de pauta para a equipe de jornalismo do Canal Ideal? Descreva tudo e mande suas fotos e vídeos pelo WhatsApp, clicando AQUI.

Veja também

Vendeu casa e carro para abrir uma relojoaria; 25 anos depois, colhe os frutos em SC

Empresário de São Miguel do Oeste transformou uma aposta arriscada em um negócio familiar

Alesc aprova projeto que prevê pagamento de R$ 100 por javali abatido em Santa Catarina

Proposta busca ampliar o controle da espécie invasora e segue agora para análise do governador Jorginho Mello

Bebê registrado em Santa Catarina recebe nome de Haaland durante a Copa do Mundo

Recém-nascido de Timbó é o terceiro brasileiro registrado com o nome do atacante norueguês em 2026

Este site usa cookies para melhorar e personalizar sua experiência com nossos conteúdos e anúncios. Ao navegar pelo site, você autoriza o Canal Ideal a coletar tais informações e utilizá-las para estas finalidades. Em caso de dúvidas, acesse nossa Política de privacidade.