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Eleições

Urna eletrônica: entenda como funciona o equipamento usado nas eleições brasileiras

Do registro do voto à divulgação do resultado, o sistema utiliza mecanismos de segurança, auditoria e conferência

Por: Rodrigo de Oliveira
02/10/2026 11h50 - Atualizado há um dia
Urna eletrônica: entenda como funciona o equipamento usado nas eleições brasileiras

A urna eletrônica é utilizada nas eleições brasileiras desde 1996 e foi adotada em todo o país a partir das Eleições Municipais de 2000. O equipamento foi desenvolvido pela Justiça Eleitoral para registrar os votos, realizar a apuração de cada seção e produzir os arquivos que posteriormente são utilizados na totalização dos resultados.

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Mas o que acontece depois que o eleitor digita o número de um candidato e aperta “CONFIRMA”?

Antes da votação, a urna é preparada e testada

Antes de chegar à seção eleitoral, a urna passa por procedimentos de preparação, testes e verificação dos sistemas. Os programas utilizados são protegidos por assinaturas digitais, e os compartimentos físicos do equipamento são lacrados.

Nas Eleições 2026, a Justiça Eleitoral também prevê procedimentos de verificação da integridade e autenticidade dos sistemas instalados nas urnas, incluindo a conferência de resumos digitais (hashes) e das assinaturas digitais dos arquivos.

A urna não fica conectada à internet

Um dos principais pontos do funcionamento da urna é o seu isolamento de redes externas. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o equipamento não possui mecanismos de conexão com a internet ou com redes de computadores, nem conexão sem fio.

Isso significa que o voto não é enviado pela internet no momento em que o eleitor confirma sua escolha.

A primeira conferência é a “zerésima”

Antes do início da votação, a urna emite a chamada zerésima. O documento demonstra que, naquele momento, não há votos registrados para nenhuma candidatura.

A zerésima é assinada e fica disponível na seção eleitoral, permitindo a fiscalização do procedimento por mesários e representantes das entidades fiscalizadoras.

Como o voto é registrado?

Depois que o eleitor confirma sua escolha, o voto é registrado no Registro Digital do Voto (RDV).

O TSE explica que o RDV registra aquilo que foi digitado pelo eleitor, mas não associa o voto à identidade de quem votou. Os registros são organizados de forma a preservar o sigilo do voto, impedindo que seja identificado em quem determinada pessoa votou.

Ao final da votação, o RDV é utilizado para gerar o Boletim de Urna (BU), que apresenta a quantidade de votos recebidos por cada candidato ou legenda, além dos votos brancos e nulos.

O que é o Boletim de Urna?

Quando a votação termina, a urna imprime o Boletim de Urna, que mostra o resultado daquela seção eleitoral.

O documento contém um QR Code e pode ser consultado e conferido. O resultado registrado no BU é produzido antes de os dados seguirem para a etapa de totalização.

Os arquivos de resultado são gravados em uma mídia de resultados, que é retirada da urna e encaminhada para um ponto de transmissão. A partir daí, os dados são enviados aos sistemas da Justiça Eleitoral para a totalização.

Como os votos chegam ao resultado final?

É importante diferenciar a urna eletrônica do sistema responsável pela transmissão e totalização.

A urna permanece isolada. Depois do encerramento da votação, os arquivos de resultado são encaminhados para os pontos de transmissão. Antes de serem incorporados à totalização, os dados passam por verificações de assinatura digital, integridade e conformidade.

O Boletim de Urna é criptografado, assinado digitalmente e transmitido aos sistemas da Justiça Eleitoral. Na chegada, são realizadas verificações para confirmar a autenticidade dos arquivos.

Por que existem tantos mecanismos de conferência?

O processo possui diferentes etapas justamente para permitir fiscalização e auditoria. A população pode conferir a zerésima antes da votação e o Boletim de Urna depois do encerramento.

Além disso, partidos, federações, coligações, Ministério Público, OAB e outras entidades fiscalizadoras participam de diferentes etapas de acompanhamento e verificação previstas pela Justiça Eleitoral. Nas Eleições 2026, por exemplo, estão previstos procedimentos específicos para verificar a integridade dos sistemas instalados nas urnas.

Assim, o caminho do voto pode ser resumido em: eleitor registra o voto → voto é armazenado no RDV → votação é encerrada → urna gera o Boletim de Urna → arquivo é transmitido → dados são verificados → Justiça Eleitoral realiza a totalização.

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